sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Saudade

Cigano...
Quanta saudade de ti. Quanta saudade de sonhar contigo e acordar com o cheiro do teu abraço, o conforto do teu acalanto, a tua presença em mim.

Faz tempo que não me lembro dos nossos encontros em sonhos, se tivemos algum. Muito tempo. Talvez seja só a falta de lembrança.

Tu sabias antes de mim que eu precisava do casulo para me recompor, não sabias?

Por onde andas? Aqui ou além?

Eu voltei. Ainda um pouco tímida, mas cá estou novamente. Recomeçando. E estás comigo te sinto sorrir pra mim.

As vezes acho que tu me brindas com tua presença de tempos em tempos. Aquele dia no mar, aquele dia na Lapa... são instantes tão completos de magia que alguma partícula de mim te reconhece. E se sente segura.

Eu te amo pra sempre. Quanta saudade de você. Bom dia, amor meu!
Até a vista!

Sua Cigana para sempre!

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A ELEVAÇÃO DE UM FILHO DE FÉ

Numa praia deserta caminhava um filho de fé…
Atormentado por suas mágoas e provações, buscava por um alento um consolo.
Buscava forças e um sinal de esperança, para poder continuar lutando….
Olhava fixamente para as águas do mar, as ondas se quebrando, vindo do horizonte aos seus pés se esparramar…
Uma lágrima entristecida, cobriu-lhe a face, seu coração apunhalado pelas intrigas e maldades dos seu irmãos, já se tornava insuportável….
“Então”…
Quando percebeu, já estava distante, foi quando notou que já estava entardecendo…
O vento soprou em seu rosto e veio a sua intuição..
A Senhora dos Ventos, Mãe Iansã, e a saudou com alegria e sentiu suas magoas serem levadas pelo vento, a paz começou a renascer…
Olhou para o poente e viu no céu as nuvens avermelhadas, então com grande força saudou o Senhor das Demandas, seu Pai Ogum, e aos poucos o peso que lhe afligia se quebrava, e continuou caminhando…
Observou na beira das águas, peixinhos dourados a cintilar, foi então que seu coração se encheu de doçura e saudou Mamãe Oxum, que o abençoava com seu sagrado e divino manto…
Aos poucos, leves gotas de chuva tocaram a sua pele e a paz de espírito e o amparo que sentiu o fez lembrar-se de Nanã Buruque, que com sua lama sagrada, aliviou por completo suas dores causadas pelos tormentos materiais e espirituais, e a saudou com grande festividade…
Perdido em seus pensamentos o filho de fé, caminhava fascinado, quando de repente a brisa tocou seus cabelos e junto com elas trouxe folhas distantes, sem hesitar saudou Pai Oxossi, e pediu em sua mente que aquelas folhas lhe purificassem e o livrassem de todos os sentimentos impuros.
Sua concentração foi interrompida ao ver um raio iluminar o céu, e ouviu um alto estrondo que lhe encheu o peito de coragem.
“Kaô Kabecilê”, e sentiu a mão forte do seu pai Xangô, então confiante, não mais sofria pelas injustiças,pois seu pai lhe protegia…
Então admirado, sentou-se a beira mar, olhou para o céu e viu uma constelação, e lembrou-se das almas benditas e dos adoráveis pretos velhos, e sem se esquecer do bondoso Pai Obaluaê, que aos poucos com seu fluido curava as chagas do seu corpo e espírito…
Fixou o olhar no céu, e nas nuvens brancas a rodear as estrelas e uma delas brilhava e cintilava, como se fosse o centro do Universo, então humildemente, nosso irmão de fé agradeceu a Pai Oxalá por ter lhe dado o Dom da Mediunidade e poder levar alento e paz aos irmãos necessitados…
Então um perfume exalava de dentro do mar, eram rosas perfumadas que chegavam até ao seus pés, e foi ai que avistou Mãe Iemanjá, seu coração não se continha de tanta alegria, sua mãe o amparava e o confortava, e veio a sua mente…….
“A elevação do filho de fé….
Não está na força ou sabedoria, mas sim em seu coração…
Porque ele pode saber pouco ou não ter força alguma.
Mas sente a essência e o fundamento da verdadeira Umbanda…
Paz, Amor e Caridade!!!”

(autor desconhecido)

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Grito

Tô precisando enlouquecer, surtar, me arrancar com unhas de dentro de mim.
Tô sufocada dentro de uma lágrima represada dentro do meu peito. Lágrima alimentada por pequenas lágrimas que eu disse pra mim mesma não ter importância e fiquei presa dentro da lágrima, olhando o mundo através de suas paredes quase transparentes.
Grito um grito mudo.
Sufocada.
Atada.
Quando foi que eu deixei de ter importância pra mim mesma e me deixei ficar?
Quero rasgar.
Preciso me rasgar por inteiro.

Rita Brafer - 01/08/2012

sexta-feira, 29 de junho de 2012

E que triunfe a força da imaginação


Sem mandamentos - Oswaldo Montenegro

Hoje eu quero a rua cheia de sorrisos francos
De rostos serenos, de palavras soltas
Eu quero a rua toda parecendo louca
Com gente gritando e se abraçando ao sol
Hoje eu quero ver a bola da criança livre
Quero ver os sonhos todos nas janelas
Quero ver vocês andando por aí
Hoje eu vou pedir desculpas pelo que eu não disse
Eu até desculpo o que você falou
Eu quero ver meu coração no seu sorriso
E no olho da tarde a primeira luz
Hoje eu quero que os boêmios gritem bem mais alto
Eu quero um carnaval no engarrafamento
E que dez mil estrelas vão riscando o céu
Buscando a sua casa no amanhecer
Hoje eu vou fazer barulho pela madrugada
Rasgar a noite escura como um lampião
Eu vou fazer seresta na sua calçada
Eu vou fazer misérias no seu coração
Hoje eu quero que os poetas dancem pela rua
Pra escrever a música sem pretensão
Eu quero que as buzinas toquem flauta-doce
E que triunfe a força da imaginação

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Quase tão perto

Te ver de quase tão perto mais uma vez.
Engraçado, parece que é sempre da mesma quase distância. Do mesmo local. Acho que se eu contasse seria o mesmo número de passos para chegar até você.
É como se eu tivesse ali de novo, do mesmo lugar, mesma distância em todas as direções, te vendo ali. A história era outra, mas ainda somos nós, eu e você.
Eu e você respirando o ar do mesmo lugar, a passos de quase distância. No mesmo espaço o meu e o seu fluídos energéticos.
É como se eu te conhecesse a milênios.
Eu prevejo cada passo, cada gesto teu e ainda assim me surpreendo e me vejo em estado de graça.
Vejo tuas mãos. Olho muito pra elas. Penso quantas vezes elas me tocaram, me acariciaram, me protegeram, me guiaram. Vejo que envelheceram um pouco, mas continuam tão minhas!
E os teus olhos! Quantas vezes sorriram pra mim... a tua boca, teus dentes sorriso. Teu corpo, teu jeito de andar, teu tudo. Tudo tão familiar, tão próximo, tão pele.
Volto as tuas mãos. Eu as amo! Você aperta quando segura outras mãos.
E volto aos teus olhos e quando eles parecem cruzar com os meus, por uma fração de segundos, o segredo é nosso. Te sinto. Te olho. Te vejo. E esse segredo é tão tão tão nosso.
Tua voz.
Tudo que acontece duas vezes acontece ao menos mais uma vez.
Da próxima vez falarei por dias do teu cheiro e do gosto de tua saliva. Falarei pra mim mesma. E pra você.
Nosso segredo.
Quase tão perto.

Rita Brafer - Junho/2012